Resenha: A Parede Branca do Meu Quarto – Marina Oliveira

outubro 09 2016

         

                O livro de hoje é um livro que me fez refletir de uma maneira profunda. Além de uma trama envolvente e uma escrita maravilhosa, A Parede Branca do Meu Quarto, escrito por Marina Oliveira e publicada pela Thesaurus, é capaz de revelar mais sobre nós mesmos do que pensamos… E de quebra ainda tem um romance, mesmo que ele não seja o foco do enredo, então digamos que é impossível não se encantar com esse livro. Confira tudo que eu achei sobre a história de Mariana, uma jovem que nos torna lunáticos pela sua trama que nos dá uma lição de vida! 😉

   Após ter um vídeo postado no Youtube sobre o surto psicótico que teve durante uma prova, Mariana Vilar virou uma celebridade da internet. Infelizmente, isso não trouxe nenhuma vantagem para a vida dela: foi expulsa do colégio antigo, perdeu o contato com o melhor amigo e, agora, ainda tem que aguentar as pessoas perguntando a todo tempo se a conhecem de algum lugar. 

   Chega a hora de cursar o terceiro ano do Ensino Médio, não vai ser fácil. Novo colégio, rodeado de pessoas diferentes. Os desafios surgem e as inquietudes aumentam. Mariana começa a perceber que as experiências e desejos que guiavam o seu comportamento antes, de repente não fazem mais sentido. Entender as mudanças que vão desde belos momentos afetivos até estranhas festas da elite brasiliense será uma questão de sobrevivência. 


E quanto à parede branca do título? Ah, meu caro leitor, só posso garantir que ela nunca mais será a mesma.

Avaliação: 5/5 – Favorito.

                Todos sabem que a adolescência é uma fase extremamente complicada. Não sabemos direito o que queremos, achamos que estamos sempre certos e o pior de tudo: temos que decidir o que seremos pelo resto de nossas vidas – em questão de profissão! Em Brasília essa escolha acontece cedo, porque dela depende o quão bem você deve se sair nas etapas do PAS para poder entrar na UNB para o curso desejado. É uma pressão tão grande para que você seja perfeito, para que se saiba tudo e vá bem que às vezes isso acaba sendo um pouco demais… E é exatamente durante a segunda do PAS que Mariana vê sua vida mudar por completo ao se tornar conhecida como “A Lunática do PAS” quando devido a diversas circunstâncias ela acaba surtando durante a prova.

OK. Comecei a gritar e gargalhar que nem uma louca, dancei a Hula e acabei destruindo a cadeira em que estava sentada. Os fiscais poderiam ter parado a prova e me retirado da sala, ou chamado os bombeiros e até mesmo arranjado alguém para atirar um dardo tranquilizante em mim. Mas não. Em vez disso, eles ficaram em estado de choque. Paralisados, quer dizer. Alguns alunos, então, não querendo perder a oportunidade, resolveram filmar toda a minha histeria e colocar no Youtube na mesma hora.


Para quem não é residente de Brasília, o PAS é uma espécie de vestibular composto por três etapas sendo realizada uma prova ao terminado de cada um dos 3 graus do Ensino Médio.  A pontuação obtida durante esses três anos é utilizada para que se possa entrar no curso superior que deseja, sendo necessária uma certa pontuação em cada uma delas dependendo do curso.


                Ao contrario do que muito de vocês possam estar pensando, um dos problemas que causou esse ataque de histeria não foi o fato dela não estar preparado para a prova ou não saber nada dela (eu mesma já quis surtar, muitas vezes, ao abrir aqueles cadernos de prova), pelo contrario, Mariana é o que se pode ser considerado acima da média e possuidora com orgulho de um QI de 140, não é atoa que ela tem plena convicção de que conseguirá sua vaga para medicina na Unb.

 No entanto, mesmo tendo motivos validos para surtar, isso não impediu que ela virasse uma “celebridade”, e não de um jeito bom, depois do ocorrido e que todos viessem a rir e debochar dela.  O que só piorou quando foi expulsa do seu colégio porque um dos digníssimos colegas que filmaram a cena era nada menos que o filho do diretor – que acabou sendo punido pela atitude, afinal celulares são proibidos durante o exame.

Mas o melhor de tudo é que será a minha vez de rir de todos que um dia riram de mim.


                Agora, prestes a entrar no terceiro ano, Mariana é a mais nova aluna do colégio Joana D’Arc e é claro que a primeira coisa que ocorre no seu primeiro dia de aula é a típica pergunta: “Eu te conheço de algum lugar?” . Ignorando a tudo e a todos e focada apenas nas aulas, ela não tem interesse nenhum em fazer amizades, mas para sua eterna tristeza, Lara – uma garota que senta perto dela na sala – e Mauricio – um garoto que também senta próximo a ela e em quem ela já havia dado uma cortada – parecem dispostos a mudar isso.

                É então que após muita insistência dos dois em ficarem próximos a ela e meio que para despistar sua mãe que vive preocupada pelo fato de sua filha ser fechada, não ter amigos e etc., ela resolve convidar os dois para irem a sua casa em uma tarde. Mas o que começou com apenas uma “obrigação” acaba se tornando o inicio de uma verdadeira amizade e inúmeras descobertas.

– Bom, veja o seu quarto. Ele poderia ser i quarto de qualquer pessoa. Branco, sem graça. Não há personalidade, você não se preocupa com isso. Aliás, você só se preocupa com os estudos. É isso que está na sua frente, saca?


                Aos poucos, Mariana vai descobrindo que existe mais coisas do que apenas o estudo, que existem coisas acontecendo ao seu redor que antes ela nem perceberia. Com a ajuda de todos ela vai descobrindo que as suas verdades talvez não sejam realmente a verdade, e que sua parede pode ser mais do que apenas branca.

“ – Vou te dizer o que acho, Mariana – ele voltou a falar. – Seguindo a analogia da parede branca, acho que todos nos somos paredes coloridas e enfeitadas com as mais diversas coisas. Só que, por vários motivos, em algum momento da vida, nos pintamos de branco para proteger a nossa essência. Fazemos isso para não mostrarmos que somos imperfeitos; somos humanos. Sentimos raiva, tristeza e inveja. Só que esses sentimentos foram taxados como “ruins”. E ser ruim, bem é ruim. É ai que passamos o branco em cima de nós mesmo, para homogeneizar nossa aparência. Para aparentarmos ser perfeitos.”


A parede branca do meu quarto é uma história que me surpreendeu e me tocou de uma forma profunda. Não é mais uma simples história de uma menina que sofre bullying e se esconde, ou que se sente inferior ou com vergonha por não ser perfeita o tempo todo (como no caso de surtar no meio de uma prova). Ela não quer ter amigos porque já se machucou muito com quem considerou dessa forma, e mesmo assim ainda se permite viver e tentar de novo – mesmo com receio e sem querer admitir a principio. Mariana é uma menina que ao mesmo tempo que mostra ser forte, ainda sim possuí fraquezas e é alguém como todos. E isso é o mais interessante.

A forma como a autora Marina escreve sobre um tema que tinha tudo para ser algo pesado e dá uma leveza sem tirar a importância que tem é algo incrível. Voltamos, pelo menos no meu caso, a recordar os momentos que assim como ela estávamos cheio de dúvidas e incertezas e acabamos nos pintando de branco. Lendo pude perceber que por muitas vezes minha parede acaba sendo branca, mas que muda de cor quando tenho aqueles que amam por perto – mesmo quando a situação não é boa.

Encantador, reflexivo, inspirador, apaixonante… são apenas alguns dos adjetivos que eu poderia utilizar para descrever essa obra. Não importa o quanto eu fale sobre, a verdadeira magia que acontece ao ler esse livro, só poderá ser entendida por completo durante sua leitura. Por isso leia, se arrisque e, principalmente, tente descobrir: Qual é a cor da sua parede?


Um beijo